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Falhas de documentação odontológica como causa de condenações judiciais

A documentação odontológica é um dos pilares mais importantes na defesa do cirurgião-dentista em processos judiciais. Em grande parte das condenações envolvendo tratamentos odontológicos, o problema não está necessariamente na técnica aplicada, mas sim na ausência, fragilidade ou inconsistência dos registros clínicos. Do ponto de vista jurídico e pericial, o que não está documentado simplesmente não existe.

Por isso, compreender como falhas de documentação impactam diretamente decisões judiciais é essencial tanto para profissionais da odontologia quanto para advogados que atuam na área da saúde.

O que é documentação odontológica

A documentação odontológica é composta por todos os registros produzidos ao longo do atendimento ao paciente. Isso inclui ficha clínica, anamnese, exames solicitados, planejamento do tratamento, evolução clínica, termos de consentimento, receitas, atestados, orientações pós-operatórias e registros de intercorrências.

Esses documentos têm dupla função. A primeira é clínica, auxiliando na condução adequada do tratamento. A segunda é jurídica, servindo como prova técnica em eventual demanda judicial.

Quando a documentação é incompleta ou mal elaborada, o profissional fica vulnerável, mesmo que tenha atuado corretamente do ponto de vista técnico.

Por que a documentação pesa tanto na decisão judicial

No processo judicial, o juiz não possui conhecimento técnico em odontologia. A decisão é baseada nas provas constantes nos autos, especialmente no laudo pericial e nos documentos apresentados pelas partes.

Se o prontuário é falho, genérico ou inexistente, o perito judicial encontra dificuldades para comprovar que o tratamento seguiu protocolos adequados. Nessas situações, prevalece o entendimento de que houve falha na prestação do serviço, o que pode levar à condenação.

Em muitos casos, a condenação ocorre não porque o procedimento foi incorreto, mas porque não foi possível provar que ele foi corretamente executado.

Principais falhas de documentação encontradas em perícias

Na prática pericial, algumas falhas se repetem com frequência e são determinantes para o desfecho desfavorável do processo.

Entre as mais comuns estão:

• Ausência de laudo de exames de imagem no prontuário
• Falta de planejamento documentado
• Termo de consentimento inexistente
• Evolução clínica sem registros claros
• Falta de anotação de intercorrências e orientações

Essas falhas comprometem a credibilidade do prontuário e enfraquecem a defesa técnica do cirurgião-dentista.

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Termo de consentimento e seu papel jurídico

O termo de consentimento informado é um dos documentos mais relevantes em processos judiciais. Ele demonstra que o paciente foi devidamente esclarecido sobre riscos, limitações, alternativas de tratamento e possíveis intercorrências.

Quando esse termo não existe ou é apresentado de forma genérica, sem relação direta com o procedimento realizado, o entendimento judicial tende a ser desfavorável ao profissional.

Do ponto de vista pericial, o consentimento precisa ser claro, específico e compatível com o tratamento executado, reforçando a transparência da relação profissional-paciente.

Documentação deficiente e inversão do ônus da prova

Em muitos processos envolvendo saúde, ocorre a inversão do ônus da prova, especialmente quando o paciente é considerado parte hipossuficiente. Nesses casos, cabe ao profissional demonstrar que não houve falha.

Sem documentação adequada, essa tarefa se torna praticamente impossível. A falta de registros transfere ao cirurgião-dentista uma posição defensiva extremamente frágil, facilitando a condenação mesmo na ausência de erro técnico comprovado.

A visão da perícia odontológica judicial

Na perícia odontológica judicial, a documentação é analisada de forma criteriosa. O perito avalia se os registros são compatíveis com o tratamento alegado, se seguem normas éticas e se permitem a reconstrução lógica dos atos clínicos.

Quando a documentação é insuficiente, o laudo pericial tende a apontar inconsistências, omissões ou impossibilidade de confirmação da boa prática profissional. Isso pesa diretamente na convicção do magistrado.

Por outro lado, um prontuário completo, organizado e coerente pode afastar alegações de erro, mesmo diante de resultados clínicos insatisfatórios.

O papel do assistente técnico odontológico

O assistente técnico odontológico tem atuação fundamental na análise da documentação. Ele avalia criticamente o prontuário, identifica falhas na interpretação do perito judicial e apresenta esclarecimentos técnicos que podem mudar o rumo do processo.

Além disso, o assistente técnico contribui para demonstrar quando a ausência de determinado registro não implica, necessariamente, falha técnica, contextualizando a prática clínica e os protocolos vigentes à época dos fatos.

Conclusão

As falhas de documentação odontológica são uma das principais causas de condenações judiciais na área da odontologia. Mais do que executar um bom tratamento, é indispensável registrar corretamente cada etapa do atendimento.

A documentação não protege apenas o profissional, mas também qualifica a análise pericial e contribui para decisões judiciais mais justas, baseadas em critérios técnicos e evidências concretas.

Evite riscos jurídicos desnecessários por falhas documentais. Conte com assistência técnica odontológica para análise criteriosa de prontuários e suporte técnico em processos judiciais.

Davi Cieluck

Cirurgião-dentista - Pós graduado em direito médico e odontológico - Assistente Técnico Odontológico Judicial

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